FÓRUM SAÚDE CORPORATIVA 2010
 
Realizado em 13 de setembro de 2.006, no auditório da VIVO em São Paulo, contou com a presença dos palestrantes Alberto Ogata (ABQV), Ana Maria Malik (FGV), Antonio Jorge Kropf (Amil), Caio Auriemo (Diagnósticos da América), José Henrique Germann Ferreira (Einstein), Fabio Abreu (AxisMed), Floreal Rodriguez, Francisco Bruno (Mercer), Lincoln Moura (Vidatis), Marcos B.Ferraz (Fleury), Mauricio Ceschin (Sirio Libanês), Michel Daud (Vivo), Renato Cardoso(Odontoprev), Ricardo De Marchi (CPH), Silvana Torres (Mark-up) e Valter Hime (CRC).

No total, em torno de 250 líderes da saúde nas corporações, além de gestores de empresas fornecedores para o segmento, estiveram presentes e apreciaram o seguinte:

Como a saúde tem sido compreendida como um importante ativo econômico do século XXI verifica-se hoje um movimento intenso para promover a saúde nas organizações, objetivando controlar os custos com assistência médica; tornar a cultura corporativa orientada para a saúde e bem estar dos empregados; melhorar a motivação, maximizar o desempenho no trabalho e ainda mensurar os resultados dessas ações. Demonstra-se assim, claramente, a importância das práticas de promoção de saúde no ambiente organizacional.

Nesta edição, o fórum abordou e discutiu as melhores práticas de promoção da saúde no ambiente empresarial. Apresentado e mediado por Bernardo Leite Moreira, vice-presidente de marketing da AAPSA (Associação de Gestores de Pessoas), o encontro, que foi dividido em seis painéis de temas: "Estratégico"; "Tecnologia"; "CEOs"; "Comunicação"; "Parceria entre Stakeholders" e "Economia em Saúde", seguiu em um ritmo de estudo do assunto com idéias divergentes sendo apresentadas e comentadas provocando reflexões tanto por parte da platéia quanto dos participantes do painel.

Painel Estratégico

O primeiro contou com a presença de Maurício Ceschin, superintendente corporativo do Hospital Sírio-Libanês, Caio Auriemo, presidente do Conselho de Administração da DASA, José Henrique Germann Ferreira, superintendente do hospital Albert Einstein, e, como facilitador, Antonio Jorge Kropf, diretor técnico do grupo Amil. O "Painel Estratégico" abordou diversos assuntos como a dificuldade e complexidade do setor, o desafio de gerar riqueza suficiente para bancar a saúde, os investimentos na área, o impacto que os investimentos podem causar na vida das pessoas, como a área da saúde era antes do ano 2000, como é agora e como pode vir a ser em 2010, a digitalização do setor (e-health), a verticalização do setor, entre outros.

Segundo Caio Auriemo, passamos para uma era de "manage care" (cuidado gerenciado) na qual a saúde deixa de ser caridade e passa a ser algo consumido. "O paciente vai mais informado para uma consulta por causa da digitalização. Ele procura as informações no "google", então a palavra do médico não é mais a palavra de Deus".

Uma importante questão levantada no final do primeiro painel é essa transformação do paciente, que deixa de ser um simples "paciente" para se tornar, efetivamente, um "cliente".

Painel Tecnologia

No Tecnologia foram questionados os paradigmas do setor e a necessidade de utilizar a tecnologia da informação para tomar ações preventivas, pois a única forma de tornar esse processo efetivo é conhecendo o histórico de saúde dos indivíduos. A conclusão é que a defasagem nessa área ainda é muito grande. "Compramos livros pela internet, mas não marcamos consultas", explica Lincoln Moura, diretor executivo da Vidatis.

Além de Lincoln, participaram do painel Fábio Abreu, diretor executivo da Axismed e, como facilitador, Michel Daud, diretor de Saúde e Qualidade de Vida da Vivo.

CEOs

O presidente da E-Pharma, Luiz Monteiro, participou do terceiro painel do dia. O assunto principal do painel foi a necessidade de trazer a saúde para suas empresas, gerando resultado sustentável e a preocupação que os CEOs devem ter com o assunto. "Saúde é estratégia", afirmou Monteiro.

Comunicação

O Painel "Comunicação", que contou com a presença de Renato Cardoso, diretor comercial da Odontoprev, Silvana Torres, diretora executiva da Markup e Floreal Rodrigues, diretor executivo da Floreal Rodrigues Comunicação e Estratégia, como facilitador. Neste painel o assunto da tecnologia voltou a ser bastante comentado devido sua relevância na área da comunicação. Renato Cardoso defendeu um sistema de saúde interativo que convida a pessoa a se tratar dentro da periodicidade que necessita e um prontuário virtual em que os profissionais tenham acesso. Prontuário que causa muita polêmica por ser, em alguns casos, utilizado de forma antiética.

Silvana Torres demonstrou o endomarketing, uma ferramenta que atua em uma área de convergência entre o marketing e a saúde. Segundo Torres, o endomarketing é a transmissão de valores para o público interno, e fez questão de frisar sua diferença com a comunicação interna. "O índice de turn over das empresas que implantam a ferramenta do encomarketing é muito baixo", completa.

Parceria entre Stakeholders

O presidente da CRC - Consultoria e Administração em Saúde, Valter Hime e Francisco Bruno, consultor sênior da Mercer, participaram do painel "Parceria entre Stakeholders", facilitado por Paulo Marcos Senra Souza, diretor do grupo Amil.

Bruno contou que o principal motivo pelas quais as empresas contratam seu trabalho é a redução do custo no plano de saúde. Entre outros assuntos relacionados com o tema, os participantes falaram em sistema de vasos comunicantes, procedimentos desnecessários, percepção errada de que beneficiário não paga a conta e a necessidade de questionar profissionais. "Por que as empresas não montam as suas estruturas com stakeholders? É isso que está errado, e do jeito que está não pode continuar", coloca.

Os participantes questionaram a postura dos usuários, ressaltando que é preciso ocorrer mudanças destes "clientes". "Eles não podem ter medo. Eles precisam questionar médicos e planos de saúde, e não simplesmente pagar".

Economia em Saúde

Por fim realizou-se o painel "Economia em Saúde", com a participação de Marcos Ferraz, coordenador do Centro Paulista de Economia da Saúde; Wilson Follador, gerente de Farmacoeconomia, divisão médica dos laboratórios Pfizer e, como facilitador, Alberto Ogata, presidente da ABQV (Associação Brasileira de Qualidade de Vida). Nesse painel foi discutido o custo da área, os interesses presentes nesse conhecimento, o acesso à saúde (que tem de ser com a menor restrição possível), a necessidade de um setor que atenda com qualidade, a dificuldade de se manter atualizado devido à rapidez de mudanças na área e, principalmente, a necessidade de ter um profissional especializado em Economia em Saúde.

Levantou-se na discussão que as empresas costumam questionar sobre os custos, mas esquecem de ver quantas pessoas foram atendidas e qual foi a qualidade do serviço prestado. "Precisamos deixar de discutir custo sem consciência. A proposta é racionalidade e não racionamento" enfatiza Ferraz que lembra que a palavra-chave é custo/efetividade. "Fazer o melhor com o recurso que tenho. E quando se fala em efetividade, significa dizer que precisamos analisar o conjunto de benefícios do investimento. Neste sentido é que o profissional de economia em saúde torna-se necessário. Uma vez que ele saberá colocar em linguagem econômica, no que é preciso investir".

Com o término deste painel, encerraram-se, as atividades do dia com o Fórum estabelecendo um importante momento para área da saúde empresarial, evidenciando que é preciso haver mudanças de modelos, quebra de paradigmas.

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