FÓRUM GLOBAL EM SAÚDE CORPORATIVA
 
Realizado entre os dias 23 e 25 de maio de 2.007, na Câmara Americana de Comércio, em São Paulo, com a presença de 350 congressistas entre executivos de alta e média direção como: CEOS, presidentes, vice-presidentes, diretores, superintendentes, gerentes e profissionais liberais das mais diversas áreas (administrativa, financeira, recursos humanos, benefícios, tecnologia, medicina do trabalho/saúde ocupacional, associações).

O Fórum teve como objetivo, contribuir para profundas e diferenciadas discussões na área da promoção da saúde. Um instrumento de capacitação e estimulo, no qual foram discutidos temas de relevância no ambiente organizacional das empresas como: produtividade, contenção dos custos médicos e bem-estar dos funcionários.

O evento

Dividido em painéis compostos por representatividades de alta expertise do circuito mundial e nacional, ofereceu momentos de interação com todos os participantes. Este encontro teve como foco, o debate e a exposição de casos de sucesso, voltados para a promoção da saúde no ambiente corporativo. Contou com nomes relevantes para o tema: Ana Maria Malik - FGV, Antonio Jorge - Amil, Bill Whitmer - Presidente da HERO - Health Enhancement Research Organization, Carlos Suslik - Ibmec, Catarina Jacob - Accor , Cristina Nader - Siemens, Fabio Abreu - Axismed, Fabio Carmo - GE, Francisco Martinez - Ambev, Giovanni Cerri - AMB, John Harris - Senior Vice President - Health Support Division Healthways, Luis Edmundo Rosa - Accor, Maria Lucia Bechara - Dow Química, Marilia Barbosa - Unidas, Michel Daud - Vivo, Miguel Cerondoglo - Hospital Albert Einstein, Milton Luis Pereira - Serasa, Paulo Erlich - Lumina, Ralph Chelotti - Presidente da ABRH Nacional, Renata Passos - Unimed, Renato Barreiros - Philips, Rozana Ciconelli - Fleury, Rubens Prata - Grupo O Estado e Sean Sullivan - Presidente do IHPM - International Institute of Health & Productivity.

É indubitável que, de modo geral, as empresas estão cada vez mais conscientes da importância de atentar para a saúde de seus colaboradores. A lógica cartesiana seguida por muitas delas tem em alta conta as conseqüências que um bom programa de promoção da saúde corporativa traz. Naturalmente, há a diminuição de taxas como absenteísmo e turnover. Além disso, em muitos casos, há um perceptível incremento dos índices de produtividade.

Entretanto, é igualmente inegável que o descolamento entre essa conscientização e as práticas das organizações ainda é bastante significativo. E é justamente em função desse distanciamento que faz-se, gradualmente, mais e mais necessário o encontro de líderes da área para que ocorram debates sobre os desafios de um setor considerado estratégico para o mercado organizacional como um todo.

Nessa esteira, encontros como os promovidos pelo Fórum Global de Saúde Corporativa devem ser bastante celebrados. Pois é por essa razão que os dias 23, 24 e 25 de maio desse ano ficarão na história do mercado de saúde corporativa brasileiro.

Nesses dias ocorreu, na sede da Amcham (Câmara Americana do Comércio), o FGSC. O encontro, que teve como objetivo principal a promoção de debates e exposição de casos de sucesso voltados para a promoção da saúde no ambiente interno das empresas, além de encontrar soluções para diversas companhias participantes com base na troca de informações, contou com a participação de diversos profissionais renomados de todo o mundo.

Para se ter idéia, o Fórum, que ocorre uma vez por ano, contou nessa edição com nomes relevantes para o tema como Sean Sullivan, presidente do IHPM (International Institute of Health & Productivity), Robert Karch, acadêmico da American University, John Harris, vice-presidente sênior da Health Support Division Healthways e Bill Whitmer, presidente da HERO (Health Enhancement Research Organization), todos palestrantes internacionais e especialistas no tema.

No primeiro dia do encontro, que foi aberto com um café da manhã, Robert Karch, que é diretor e professor do "National Center for Health and Fitness" da American University, relatou que a problemática da falta de promoção da saúde dentro das companhias já existe há muito tempo e que pertence a todos os profissionais dentro do ambiente corporativo a necessidade de atitudes a serem tomadas, que geralmente giram em torno de algum transformação necessária.

Os Estados Unidos, por exemplo, terra natal do palestrante, é um dos países que mais gasta com saúde no mundo, o que faz com que debates como esse sejam muito importantes em diversos pontos do globo. "Doenças crônicas são as mais gritantes, pois são geradas pelo estilo de vida. A resposta não está em nenhum país, mas em entender suas origens. Nenhuma empresa evolui com colaboradores doentes", afirmou.

Em um dos pontos altos do encontro, e mais polêmicos também, Sean Sullivan, do IHPM, disse que se os colaboradores fossem tratados como máquinas os mesmos seriam mais felizes. O motivo é explicado de forma pragmática e direta: as máquinas recebem manutenção constante, enquanto as pessoas não recebem atenção adequada em relação a sua saúde e qualidade de vida.

No que tange às operadoras de saúde, Renata Passos, consultora, diz que as empresas estão mudando de estratégia e de visão por questão de sobrevivência no mercado, uma vez que discussões sobre o tema "saúde corporativa" se tornaram cada vez mais recorrentes. Por sua vez, Gonçalo Vecina, da Universidade de São Paulo (USP), ressalta que é importante tratar do assunto de forma que não esteja somente ligado aos custos, e sim, à qualidade de vida dos colaboradores.

Por outro lado, Elizabeth Teixeira, da Vale do Rio Doce, defendeu a seguinte proposição: em questões ligadas à saúde, são necessárias mudanças na cultura organizacional para que sejam vistas as mudanças dentro do ambiente corporativo.

Houve também o painel intitulado "Economia em Saúde", em que tanto os palestrantes americanos quantos os brasileiros concordaram em dizer que as doenças crônicas têm ultrapassado as moléstias infecto-contagiosas e que os maiores usuários de planos de saúde têm sido os jovens, quando outrora eram os mais velhos, de certo.

Durante o dia foram promovidos pela organização do evento alguns coffee breaks, que serviram para que os congressistas pudessem debater idéias entre si, e, ao fim do dia, houve um coquetel de relacionamento.

O foco nos custos

Confirmando uma tendência cada vez mais latente no mercado como um todo, os debates do dia 24 do Fórum Global de Saúde Corporativa abordaram, direta ou tangencialmente, a questão dos crescentes custos gerados pela área de saúde das organizações.

Em uníssono, os participantes dos eventos demonstraram estar atentos para os gastos exorbitantes e, em grande parte, apresentaram possíveis soluções para o problema. Christian Castro, responsável pela área de saúde da Caixa Econômica Federal, por exemplo, disse que anos atrás as planilhas apresentavam números amedrontadores, pois os custos só subiam. "Tem sido difícil, mas através de muito esforço e total atenção para a questão da saúde dos funcionários da Caixa, conseguimos equilibrar as contas, podendo pensar em novos caminhos para o bem-estar de todos os colaboradores", afirmou.

Castro, aliás, moderou o primeiro encontro do dia, que contou ainda com Marília Barbosa, presidente da UNIDAS, que demonstrou como funciona o trabalho da organização, e Renato Barreiros, líder da área de saúde da Philips. O encontro foi marcado pelo detalhamento didático da apresentação de Barreiros sobre todo o processo de Promoção da Saúde da empresa de eletrônicos. Curiosamente, a preocupação da companhia com o tema "bem-estar" teve início com um caso de alcoolismo dentro da alta direção da empresa, há quase duas décadas. "Desde então, a preocupação aumentou e os processos evoluíram muito, atingindo um grau de complexidade bastante completo", afirmou o executivo da Philips.

Mais tarde, foi a vez de John Harris, vice-presidente sênior da Healthways, maior empresa estadunidense no segmento de Promoção da Saúde, fazer sua apresentação. Um dos nomes internacionais mais fortes da área, Harris falou um pouco de sua trajetória profissional e também da história do segmento nos EUA. Salientando o crescimento da atenção voltada à saúde de forma geral (a evolução da medicina depois da 2ª Guerra Mundial e o surgimento de diversas doenças crônicas), Harris terminou sua apresentação comparando os mercados brasileiro e norte-americano, Canadá incluído. "Estou muito surpreso com o grau de excelência e com a alta qualidade dos programas de Promoção da Saúde das empresas brasileiras. Este é um grande evento e agradeço imensamente a oportunidade de estar aqui", declarou.

Já no último dia do fórum, 25, é possível dizer que as apresentações tiveram focos variados. O tema do primeiro encontro, por exemplo, foi "A indústria saudável", discutida por profissionais do Sesi (Serviço Social da Indústria). Aqui, foi a vez de Carlos Henrique Fonseca, Eloir Simm e Fernando Coelho mostrarem a enorme quantidade de projetos desenvolvidos pelo Sesi na melhoria da qualidade de vida através das áreas de educação, saúde e esporte.

Coelho enfatizou os custos gerados no Brasil com saúde, que atinge os 7,5% do PIB (Produto Interno Bruto), além disso, 2% desse montante são perdidos no ambiente de trabalho, que registra um número alarmante: uma morte a cada 3 horas. "Nosso desafio é fazer com que a saúde ocupacional seja tratada como parte integrante da saúde corporativa", comenta.

Elloir Simm, gerente de cultura e esporte do Sesi, enfatizou o fato das pessoas hoje estarem envelhecendo com alto custo, necessitando de remédios e tecnologia. "Longevidade é bom associada a uma vida mais saudável", garante. O gerente sugeriu o desenvolvimento de atividades esportivas como ferramenta para melhorar a saúde. "No esporte as pessoas trabalham valores que servem tanto para a vida profissional quanto pessoal como: superação de resultados, liderança, trabalho em equipe, entre outros", e continua, "Pesquisas da OMS, Organização Mundial de Saúde, mostrou que as pessoas passam 18 horas do seu tempo livre em frente a televisão. É necessário planejar melhor o tempo de folga", aconselha.

Às 9h teve início a palestra do presidente e fundador da HERO (Health Enhancement Research Organization), Bill Whitmer, que falou sobre o papel de uma organização de pesquisas no processo de gestão da saúde do empregado. Ao divulgar os primeiros dados sobre os custos relacionados à saúde nos EUA, Whitner percebeu que sua empresa percebeu que sua empresa era muito pequena, tamanha foi a repercussão dos números. Uma de suas conclusões mais interessantes foi verificar que ex-fumantes custam mais para as empresas do que os fumantes. "Quando uma pessoa deixa de fumar? Somente quando constatam uma doença grave relacionada ao cigarro", diz.

O Fórum ainda teve outras apresentações importantes sobre "Assistência Médica e Promoção de Saúde", com representantes da Amil, Ambev, Itaú e da Vivo. Depois, um bate-papo com Bill Whitmer e Robert Karch, falando sobre "Métodos de Planejamento e Implantação". "O sucesso do que faremos com a questão da saúde, vai depender de como iremos usar uns aos outros. É necessário trabalhar em parceria e criar laços de confiança" aconselha Whitmer.

A cerimônia de encerramento foi conduzida pelo presidente da ABRH-Nacional (Associação Brasileira de Recursos Humanos), Ralph Chelotti. Na ocasião, outros dois painéis foram expostos: um sobre "Ambiente Psicologicamente Saudável" e o outro sobre "Ambiente Corporativo Brasileiro".

Depois dessa jornada, que bem poderia ser considerada uma odisséia pelo conhecimento, uma questão levantada por Robert Karch certamente deve ser replicada e analisada com a devida profundidade. Afinal, "o que precisa ser pensado, tanto no Brasil, quanto nos EUA, é se as ações na área de saúde são verdadeiramente efetivas". Ele finaliza: "Sabemos o que devemos fazer, mas a pergunta essencial é se nós vamos, realmente, fazê-lo?"

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