Terça-feira - 02/09/08
Qual a importância da saúde, que não seja apenas o bem-estar do indivíduo com uma boa qualidade de vida? Muito tem sido pregado sobre a adoção de hábitos mais saudáveis e as corporações tem se mostrado cada vez mais engajadas. Além de colaboradores mais sadios e dispostos, a produção aumenta e os gastos com o turnover, por exemplo, são reduzidos. Isso tudo por conta da promoção de saúde, que ocasiona também a satisfação dos colaboradores, mantendo e retendo talentos.
O primeiro dia, dois de setembro, teve início com a palestra de um dos mais respeitados profissionais especialistas em futuro da saúde, o americano Jeffrey Bauer. Durante sua explanação ele citou as mudanças climáticas como fator de transformação nas condições de saúde, assim como o surgimento de novas doenças. Bauer ainda comentou sobre a expansão da saúde como um mercado próspero: "O sistema está se tornando um mercado internacional, o que faz com que as pessoas viajem para outros países para conseguir atendimentos mais baratos". Foram citadas também a personalização dos cuidados médicos com cada paciente, por conta das diferenças moleculares da estrutura de cada indivíduo: "Estamos aprendendo que nossas doenças são diferentes, reagem de forma distinta em organismos diferentes". Outro ponto interessante foi o fato de alguns países reduzirem custos com programas de saúde por conta da conscientização da população: "Há dois anos, alguns processos cardíacos começaram a cair em desuso por ser caros e traumáticos. Então as pessoas passaram a cuidar melhor da saúde fazendo exercícios físicos, dieta entre outras opções", explica.
Um dos pontos significantes citados por Bauer foi que não só o cuidado com a saúde física é essencial, mas os cuidados com a mente também, algo que foi complementado pela palestra de Marco Aurélio Vianna, sobre o cenário brasileiro da saúde corporativa. Vianna comentou o fato de muitas empresas investirem em check-ups, sendo que a saúde mental do colaborador já está prejudicada: "Às vezes a pessoa tem a saúde em dia, mas está totalmente estressada. Eu não conheço nenhuma empresa que não transpasse os limites de pressão suportáveis pelo ser humano", comenta.
Vianna levantou várias questões relevantes ao tema como forma de provocação ao público presente: "Os caminhos corretos estão sendo tomados? Saúde corporativa pode ou deve abranger a parte econômica de uma empresa? O tema reside apenas em mensurar números? Aliás, é possível reduzir a complexidade humana a números? Para quem se destina a saúde nas corporações?". Tendo em base essas indagações, ele declara: "O importante é trabalhar pelo valor da saúde e não um mero conceito vazio. Saúde não é só planos ou médicos. É provado que pessoas que cuidam mais de seu lado espiritual são mais felizes. Pessoas que pregam o bem são mais saudáveis".
Na palestra da advogada Regina Vendeiro foi tratada a importância de uma revisão nas normatizações que regem a saúde no Brasil. No início da palestra, Vendeiro traçou um panorama da saúde no Brasil, desde a década de 1960, com início da previdência privada, e as grandes transformações do setor com a entrada da iniciativa privada por volta de 1970, por meio de cooperativas médicas. E a normatização dos seguros de saúde, com a Constituição Federal de 1988, que definiu os princípios dos planos privados de saúde.
Segundo ela, hoje, só uma mudança na legislação pode dar a estabilidade necessária ao setor, pois ainda há um número muito grande de inversões com relação à obrigatoriedade ou não da prestação de alguns serviços oferecidos pelas companhias de saúde no Brasil. Problemas como o prazo de carência e a cobertura de doenças ainda causam transtorno tanto para as operadoras dos planos, como para os clientes, que muitas vezes recorrem a processos para garantir o atendimento: "O ideal é que não se dependa mais da intervenção jurídica para essas questões", explica a palestrante que também afirmou que "é complicado confiar na saúde pública, e por outro lado, com os planos de saúde você não sabe se está coberto", apontando os problemas de gestão de saúde atuais.
Na palestra "Saúde como estratégia corporativa", Ana Cristina Limongi traçou uma linha do tempo sobre as mudanças do mundo do trabalho: "Até o terceiro milênio se prevê mudanças tecnológicas, hábitos, valores e gestão". Ela complementa dizendo que dentre essas mudanças é necessário ter consciência de que qualidade de vida engloba não só programas de fitness, mas também temas como burnout, sedentarismo, depressão e até assédio moral. E finalizou: "Doença é o grito dos órgãos no silêncio do sujeito".
Para encerrar o primeiro dia do Fórum, Ozil Pedro Coelho Neto tratou do tema "Empresas e empresários saudáveis: ou empresas saudavelmente sustentáveis" se utilizando de um caso da BS Colway, mostrado pelo telão: "Grande parte das empresas estão doentes. É hipocrisia dizer que o bem maior que se tem são os indivíduos. Tenho estado com muitos empresários e eles dizem que os benefícios comuns são o transporte e a alimentação e isso já basta". E complementa: "Precisa ser economicamente viável, socialmente justo e ambientalmente equilibrado. A empresa é do funcionário e da sociedade".
Voltar