Quarta-feira - 03/09/08
No segundo dia do Fórum Internacional de Saúde Corporativa, o americano e economista Devon Herrick, mostrou que para cada dólar gasto com serviços médicos, o paciente paga menos de 10 centavos de seu próprio bolso, ou seja, os custos de assistência médica subiram nos últimos 40 anos na proporção em que a assistência médica paga por terceiros aumentou. A contradição está, por exemplo, na estabilidade dos gastos com cirurgia estética, um dos cuidados médicos que os consumidores pagam praticamente tudo do próprio bolso. Ainda que a demanda tenha aumentado as taxas dos cirurgiões continuam relativamente estáveis. "Enquanto o preço real da assistência médica paga por terceiros cresceu, o preço real da medicina paga por conta própria caiu", explica.
Uma das sugestões do economista para conseguir um baixo custo é a inovação. Consultas por telefone, arquivos médicos eletrônicos e atendimento personalizado oferecem ao paciente, de acordo com ele, uma melhor conveniência, não têm um método tradicional de reembolso e melhoram dramaticamente a entrega da qualidade da assistência médica.
Falando sobre promoção da saúde, Maria da Glória Gomes, gerente administrativa da área da saúde do Hospital Brasília, pôde despertar nos congressistas novas idéias de como trabalhar a qualidade de vida nas empresas, que segundo ela, é um desafio para o RH, que nas crenças de obter, desenvolver e reter talentos não se preocupa com um fator importante em meio a tudo isso: educar os colaboradores para a saúde e qualidade de vida. "O RH se preocupa em não perder seus talentos para outras empresas, mas não em perdê-los para a doença", comenta.
O presidente do Conselho de Administração do IBEF - São Paulo, Walter Machado apresentou com detalhes a aliança lucrativa que pode acontecer entre o departamento financeiro e o RH, que devem trabalhar em parceria para mobilizar os players do mercado na busca de soluções efetivas sob o risco de relegar a tarefa ao governo, que como se tem visto não dá conta da demanda. "O grande desafio para as empresas é encontrar formas de reduzir os custos de saúde e manter, ou até mesmo ampliar, os benefícios oferecidos para que a satisfação dos empregados não seja afetada. Para as pequenas e médias empresas, esses custos estão se tornando um benefício financeiramente insustentável", diz.
Já Gustavo Loubet Guimarães, considerado um dos especialistas de destaque em doenças infecciosas no país mostrou as mudanças na forma das pessoas vivenciarem saúde. Por exemplo, o fato de 84% dos adultos que têm conexão à internet já procuraram informações sobre saúde na rede. "Será que nós, gestores, estamos preparados para essa realidade?", questiona.
Ele também alerta para a baixa adesão das pessoas ao tratamento, que pode ser um fator prejudicial para as negativas do gerenciamento da saúde. "Menos de 2% dos pacientes com diabetes nos EUA seguem as recomendações de cuidado, o restante, que possuem o diabetes mal controlado, custam cinco vezes mais", exemplifica Guimarães.
Para fechar o Fórum, Antero Coelho Neto, diretor do IQVida - Instituto para a Qualidade de Vida, encerrou o evento falando da deturpação que muitos gestores fazem ao conceituar promoção da saúde, o que também influencia na eficácia dos programas de saúde e qualidade de vida implantados por eles. Para Antero, promover saúde é prevenir as enfermidades, manter um estilo de vida saudável, proteger contra os fatores de risco, educar para a saúde, comunicar sobre vida saudável e a adequação dos serviços de saúde. "Saúde é o completo bem-estar físico, mental, social e espiritual, não a simples ausência da doença", conclui.
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